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Moro entrou ex-juiz e saiu candidato, observa Marcelo Tognozzi


Os espanhóis nunca estiveram tão irritados com seus políticos. A insatisfação cresceu quatro pontos em um mês e atingiu 32,1%, a mais alta desde 1985, de acordo com a última pesquisa do Centro de Investigações Sociais (CIS), órgão público responsável por pesquisas de opinião. A insatisfação não é privilégio dos ibéricos; é um fenômeno mundial. Na França dos coletes amarelos e na Inglaterra do Brexit está acontecendo o mesmo. Os políticos teimam em repetir erros, quando deveriam inovar.

No Brasil a situação não é muito diferente. O desemprego não para de crescer desde o governo Dilma, enquanto o nível dos políticos não para de cair. Quem viu e ouviu o bate-boca na Câmara dos Deputados durante a audiência com o ministro Sergio Moro sabe do que estou falando. Há pelo menos 35 anos frequento o Congresso. Conheci gente que fazia política de altíssimo nível como Luiz Viana Filho, Nelson Carneiro, Ulysses Guimarães, Tancredo Neves, Pedro Simon, ACM e Luís Eduardo.  E também conheci anões como Genebaldo Correa, Geddel Vieira Lima, João Alves e Raquel Cândido. Mas a turma que estava na audiência de Moro é imbatível.

Os da oposição estão perdidos, não entenderam que quanto mais batem em Moro, mais ele cresce. Chegou como ex-juiz e saiu da Câmara mais candidato que nunca à presidência da República. A oposição insiste em transformar seus adversários em campeões de voto, como fez com o pastor Marco Feliciano quando ele assumiu a presidência da Comissão de Direitos Humanos. Nesta toada, Moro será um grande cabo eleitoral em 2020 e, provavelmente, candidato fortíssimo em 2022 para o deleite da esquerda que xinga, cospe e veste como uma luva o lema do inesquecível Ibrahim Sued: “Os cão ladra (sic) e a caravana passa”.

Os políticos da situação, boa parte marinheiros de primeira viagem devendo a eleição a Bolsonaro, estão cegos pelos holofotes do poder e das redes sociais. Aos poucos descobriram o Estado, suas reentrâncias, gordurinhas, sinecuras. Querem tudo. Se não levam, batem, chantageiam. Agora resolveram atacar o ministro Onyx Lorenzoni. Digam o que quiserem do ministro da Casa Civil, mas até seus piores adversários sabem que ele tem três qualidades: leal, trabalhador e ficha limpa. O presidente Bolsonaro o conhece faz tempo. Quando seus apoiadores cabiam num fusca, Onyx sentava no banco do copiloto.  Como ministro, entregou aquilo que o governo sempre sonhou ter e Renan Calheiros nunca imaginou perder. E o fez sem que ninguém, jornalistas ou adversários, denunciasse troca de favores ou qualquer outra conduta desabonadora. Negociar, vencer e sair com as mãos limpas não é para qualquer amador.

Outro dia uma grande amiga resumiu tudo numa frase de José Saramago: para ver uma ilha é preciso sair dela. Quem, na distância, vê a oposição mordendo as canelas de Moro feito cão raivoso e os aliados atirando em Onyx Lorenzoni, como se fosse ele o adversário a ser batido, não tem dúvida que o governo do presidente Bolsonaro é o grande perdedor. Ao invés de deixar a ilha pegar fogo, melhor seria não brigar para dentro. Há um longo caminho com 3 anos e meio de governo pela frente e uma eleição municipal no meio. Neste cenário, a oposição e João Doria teriam muito pouco a perder.

*Via Poder360

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