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Na era do status, do story, da selfie e da live, vale tudo, menos amar o crush

Por Erinaldo Silva

Vivemos a era do status, do story, da selfie e da live nas redes sociais. Um novo e desastroso jeito de ser da humanidade, onde a comunicação ocorre cada vez mais de forma virtual, impondo uma total artificialidade às relações interpessoais e sociais.

Por mais que tenhamos nos tornado dependentes das tecnologias desenvolvidas por nós mesmos e aplicadas nas máquinas – feitas para que comandemo-las, mas que na prática já estão nos comandando -, por mais que tenhamos passado a preferir o descompromisso, a distração qualquer, a vivermos personagens fictícios, não deixamos de sermos humanos. No campo emocional, temos as mesmas carências que tiveram os nossos mais antigos antepassados. Aliás, nossa situação em relação a carências do campo emocional é pior, pois estas têm sido apenas dribladas e não supridas.

Qual o sentido da vida humana sem um amor Eros intenso e correspondido, sem um lar, sem uma família, sem os filhos, sem os netos, sem verdadeiros amigos? Nenhum! Mas o fato é que muitas pessoas, especialmente as mais jovens, têm optado por esse estilo de vida vazia, que nos encaminha para uma velhice de solidão e de arrependimentos.

O intrigante é que a maioria de tais pessoas são inteligentes (diferente de sábias), que inclusive falam até em conquistar o mundo, sem fazerem uma simples reflexão: Do que adiantaria alguém conquistar o mundo sozinho, colocar-se num posto acima de toda essa sociedade mecânica, sem atentar para o fato de que a predominante relação virtual já inviabiliza até mesmo desfrutarmos o aconchego e o calor de um simples abraço sincero?

Indo mais fundo, se rolou um delicioso beijo apaixonado no(a) crush, ops! Foi algo diferente? Xiiii… É hora de pular fora! Paixão nem pensar! Está fora de moda! Amor, então, é coisa para quem quer sofrer. Melhor buscar na agenda do iPhone de última geração (que é de lei) um ‘contatinho’ menos pegajoso, que não tire a liberdade de quem só quer mesmo é viver intensamente sem pensar no amanhã.

Sei que não sou o único a perceber o rumo lamentável que a humanidade tomou ao longo da última década. A questão é: Até onde seguiremos pelo caminho dos ficantes descompromissados, preferindo quem queira proporcionar um mero momento de distração ao som de um paredão, regado a Whisky com gelo ou cerveja gelada, o qual acaba num quarto de motel, ou até mesmo no banco traseiro de um carro, com um sexo sem compromisso, em detrimento de alguém que queira proporcionar o AMOR, que queira compromisso sério, que faça planos, que estabeleça metas para a realização desses planos e que nos coloque como PRIORIDADE e não como opção?

Sei que a vontade de muitos que leram até aqui é me dizer: Calma, Erinaldo! Estou fazendo exatamente tudo que você meio que repudiou nessa reflexão. Mas daqui mesmo uso a minha internet 4G, posto uma selfie, um status, um story e faço uma live e fica tudo bem. Quem ver vai achar que estou vivendo uma vida dos sonhos e vai desejar o mesmo. Todos esses problemas que você falou, do campo emocional, realmente eu tenho, mas vou driblando-os.

Talvez quem pensa de tal forma tenha mesmo razão. Mas, definitivamente, esse não é o mundo que desejei para mim e muito menos para minha filha, que atualmente tem 11 anos.
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