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Aline Fernandes acredita em renovação e diz que sua pré-candidatura a deputada federal é pra valer

Erinaldo Silva / REDE NEWS 360

Mossoroense, filha de pedreiro e de lavandeira, formada em gestão pública, mãe de três filhos e feminista assumida, Aline Fernandes é o nome feminino do Partido Humanista da Solidariedade (PHS) no Rio Grande do Norte na disputa para a Câmara dos Deputados. Ela conversou com o REDE NEWS 360 e expôs sua visão sobre o momento político decisivo que o Brasil atravessa.

A pré-candidatura de Aline Fernandes não é um faz de conta. Ou seja, não visa simplesmente preencher o espaço reservado às mulheres pela legislação eleitoral, entendimento que deve ser cumprido pelos partidos políticos. Na verdade, a iniciativa de ingressar na política partiu dela própria que, uma vez filiada ao PHS, espontaneamente manifestou junto ao mesmo o desejo de colocar o seu nome como opção para o povo potiguar no pleito desse ano.

“Faz de conta? De jeito nenhum! Uma vez filiada ao Partido Humanista da Solidariedade (PHS) eu mesma tomei a iniciativa de chegar para o diretório estadual do mesmo e manifestar meu desejo de ingressar na política. Muitos me perguntam quais os meus projetos e eu respondo que o Rio Grande do Norte e o Brasil não precisam de mais projetos, mas sim que os muitos já existentes sejam retirados das gavetas dos Legislativos, discutidos, aprovados, sancionados pelos Executivos e postos em prática”, esclareceu Aline Fernandes.


Aline Fernandes não se sente intimidada pelas estruturas políticas tradicionais e tem percorrido o Rio Grande do Norte com seu projeto, fazendo corpo a corpo e levando suas ideias. Questionada sobre a decisão ousada de ingressar na política disputando de cara um mandato federal, ela disse que se sente preparada e que sua motivação vem do fato de perceber que o povo, de onde emana o poder, já não tolera mais as oligarquias.

“Algumas pessoas me fazem esse questionamento, por que logo a Câmara Federal, uma vez que não venho de família tradicional na política nem tenho experiência. Eu digo que me sinto preparada para representar o Rio Grande do Norte no Congresso Nacional, em especial as mulheres. Realmente não tenho experiência, mas essa a gente adquire na prática. Até porque experiência por si só não tem feito a diferença na vida de um povo que na verdade não se sente representado pelos atuais detentores de mandatos. Nós temos vários políticos veteranos, com suas vidas dedicadas a política e, no entanto, o quão tem nos servido tanta experiência? É fácil perceber que essa tem sido usada em benefício próprio e não do coletivo. Quanto a disputar um mandato federal em meio aos nomes das grandes estruturas, o que me motiva é ver que o povo já não suporta mais as oligarquias. O que nesse momento ninguém tem dúvida é em relação à necessidade de mudança, de renovação. Eu vejo que há esse entendimento na sociedade e não tenho por que não acreditar que faremos essa mudança. O povo já percebeu que nós, eu, você, seja cidadão influente ou anônimo no meio social, somos quem de fato detemos o poder político, para assim concedermos ou retirarmos mandatos eletivos quando bem entendermos que se faz necessário. Eu tenho andado por diversas cidades do Rio Grande do Norte e, no corpo a corpo, ao dialogar com as pessoas percebo que é muito grande a repulsa em relação aos velhos nomes, a essas famílias que têm se reversado no poder, passando mandatos de pai para filho, sem proporcionar qualquer retorno à população. Por isso eu digo: o tradicionalismo na política está com os dias contados. O povo brasileiro agora está para a renovação, para a alternância do poder”, apostou.


A pré-candidata chamou atenção para a necessidade de ampliação e de fortalecimento da representatividade feminina na política brasileira, quando atualmente esta ocupa apenas cerca de 10% dos espaços. Segundo Aline, além de serem minoria nos poderes legislativos, as parlamentares atuais têm se comportado de forma muito tímida. Para ela, as mulheres precisam se impor mais.

“É fundamental à representatividade feminina na política, especialmente nas Assembleias e no Congresso, onde são feitas as leis que regem o Estado. Vou explicar por que. Na minha visão feminista e, especialmente, respaldada na minha experiência de vida, geralmente quando um homem entra na política ele vai pensando apenas no poder, no status, em se autoafirmar perante o sistema. Quando consegue um cargo ou mandato eletivo, pouco ou nada faz diante dos gargalos da sociedade, menos ainda em defesa dos direitos das mulheres. Ao analisarmos muitos exemplos, concluímos que, na verdade, o homem quando entra na política não costuma fazer a diferença, acaba sendo só mais um a ocupar seu espaço no sistema historicamente machista. Já nós mulheres somos humanistas, solidárias, somos acima de tudo família. Nós sabemos quais são as principais necessidades do ser humano, principalmente de nós mães, donas de casa. E quando entramos na política, verdadeiramente entramos dispostas a lutarmos por melhorias e, especialmente, pela quebra de tabus que ainda limitam o espaço da mulher sociedade. Daí a importância da representatividade feminina na política, representatividade essa que, inclusive, precisa aumentar, pois ocupamos apenas cerca de 10% dos espaços. E esse número confirma a predominância do machismo no Brasil. A própria legislação eleitoral nos assegura apenas 30% dos espaços nos partidos para a disputa de mandatos eletivos e, ainda assim, temos preenchido de fato apenas um terço desse espaço. Isso precisa mudar. Como se não bastasse sermos extrema minoria, eu considero que, individualmente, nossas representantes na política brasileira ainda são muito tímidas. Precisamos ousar mais, nos impor mais. Não podemos continuar sendo intimidadas pela maioria machista, como muitas vezes tem acontecido nos momentos de grandes debates. Temos sido vencidas no grito, sofremos grosserias. Eu entendo que somos capazes de render muito mais na política. E isso acontecerá quando dermos à cara a tapa, quando brigarmos de forma mais enérgica. No exercício de um importante mandato eletivo, não podemos nos curvar a todo tipo de situações, de pressões. Cito meu próprio exemplo: Tenho 35 anos, fui casada 12 anos com o pai dos meus filhos e hoje sou divorciada, por não ter aceitado o patrão que foi colocado diante de mim. Preferi encarar a situação, mesmo sabendo que a partir dali eu teria que ser mãe e pai dos meus filhos. E tenho vencido, tenho vivido a vida que quero e não a que um modelo de sociedade tentou me impor. Quero ir além e por isso estou colocando meu nome à disposição da sociedade”, argumentou.


Aline Fernandes demonstra ser uma mulher de personalidade forte, determinada e destemida. Contra as excessivas regalias que o Estado tem oferecido à classe política, ela garante que se eleita fará um grande enfrentamento.

“Eu sou absolutamente contra as regalias que os políticos dispõem nesse país. Porque eu entendo que, se um pai, uma mãe de família consegue manter sua casa até mesmo com um salário mínimo, nada justifica o Estado negar direitos essenciais à sociedade para manter excessos de regalias para seus políticos, que já possuem salários incompatíveis com a realidade econômica desse país. Meu nome está à disposição da sociedade para o enfrentamento desse e de outros absurdos aos quais temos sido submetidos”, garantiu.

Aline Fernandes também falou sobre temas específicos, como segurança pública, aborto, maioridade penal e direitos humanos. Confira:

“Segurança pública? Onde temos isso no Brasil? Está na Constituição que é algo que o Estado deve garantir à sociedade, mas na prática a realidade que vivemos é de insegurança pública, uma situação caótica onde os índices de homicídios são muito superiores aos de país que estão em guerra há anos. Recentemente eu perdi um amigo, pai de família, trabalhador, que teve sua vida ceifada por um adolescente de 16 anos numa tentativa de assalto. Outra coisa que eu vou lutar se chegar ao Congresso é pela redução da maioridade penal. Não é justo um adolescente de 16 anos ter direito de votar, de decidir o rumo de uma nação e, ao cometer um crime, não ser penalizado, ser tratado como se ele não soubesse o que fez. A atuação dos Direitos Humanos, tão criticada atualmente pela sociedade, é outra questão que precisa ser rediscutida e revista. Eu entendo que deve gozar de direitos aqueles cidadãos que cumprem seus deveres. Entendo também a necessidade e a importância das políticas públicas de reabilitação dos hoje chamados de menores infratores. Mas como vamos reabilitar se o Estado não investe significativamente na construção de espaços adequados para esse objetivo. Até quando o Estado vai deixar adolescentes com idade entre 16 e 17 anos soltos nas ruas e praticando crimes?. Em relação ao aborto eu sou a favor em casos extremas, como o estupro. Nós mulheres somos donas dos nossos corpos sim, mas também devemos ter responsabilidade com eles. Não é razoável que o Estado legalize o aborto em situações onde a mulher teve todas as condições de se prevenir para assim evitar a gravidez, assim não fez e, por um motivo fútil decidiu que não quer mais ter aquele filho. A discussão sobre o aborto é uma discussão sobre vidas humanas. Defendo o aborto no caso do estupro por considerar o imenso trauma que fica na mulher que foi vítima de uma violência sexual. Neste caso não houve a concepção”, concluiu.


Fotos: Cedidas
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