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Crise no Porto-Ilha pode comprometer exportação de sal e levar o terminal a nova interdição


Por Gilberto de Sousa / Da Redação

A falta de investimentos do Governo Federal, o que tem levado a demora na resolução de problemas de urgente solução, agrava a situação já crítica do Porto-Ilha, em Areia Branca, compromete a exportação de sal e pode levar o terminal salineiro a uma nova interdição por parte do Ministério do Trabalho.  

Um problema no parque de estocagem fez ceder a estrutura e vem provocando vazamento de sal em grande quantidade. 

Esse problema começou pouco tempo após uma ampla reforma estrutural para sua ampliação. Na obra, que começou a ser executada em 2009 e concluída em 2012 foram investidos cerca de R$ 270 milhões, recursos advindos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do Governo Federal. Além da ampliação da plataforma, foram executados serviços no cais de atracação, bem como no processo de capacidade de carregamento e armazenamento e aquisição de equipamentos. 

Para evitar a gravidade na "fuga" contínua do sal, as próprias empresas que estocam seus produtos no local para exportação, decidiram assumir grande parte dos investimentos de reparos no próprio parque de estocagem para evitar o total colapso. 

Agora com a intensidade do período invernoso,  que já tem penalizado os produtores com a forçada baixa no  preço do sal e a necessidade de segurar os estoques a situação está cada vez mais complicada. 

E o pior é que o Porto-Ilha segue enfrentando o processo de deterioração na sua estrutura, devido a corrosões, ferrugem e outros problemas estruturais, inclusive na chamada Ilha velha, já constatados pelo Ministério Público e pelo Ministério do Trabalho, anteriormente, que por sinal tem sido motivo de exigências e de constantes fiscalizações. 

Na semana passada houve a informação dando conta da possibilidade de nova interdição pelo Ministério do Trabalho. No entanto, a Companhia Docas do Rio Grande do Note (Codern), que  administra o terminal salineiro, disse através de sua assessoria que desconhece essa possibilidade de nova interdição, uma vez que tudo que foi acordado com o Ministério do Trabalho está sendo feito e que está sendo acompanhado. 

Para o diretor executivo do Sindicato da Indústria de Moagem e Refino de Sal (Simoersal), Renato Fernandes, que também já foi presidente da Codern, a situação é extremamente preocupante. Além dessa falta de estrutura, que segundo ele, não garante a segurança do trabalhador, uma das grandes preocupações é exatamente o excedente de sal. 

Ele lembra que, o preço do produto deixou de subir e caso a exportação marítima seja prejudicada, todo sal produzido no Rio Grande do Norte, 95% da produção brasileira, terá que servir aos mercados interno e o internacional pela via do transporte terrestre. 

Ele lembrou, ainda, que as cláusulas contratuais na pauta de exportação em caso do descumprimento são estratosféricas e, com isso, além desse prejuízo à exportação, entraria nesse bojo mais prejuízos ao próprio País de uma forma geral. "Imagine milhares de carretas transportando sal diariamente pelas nossas já precárias rodovias?", questionou, manifestando preocupação. 

Já o vice-presidente do Sindicato da Indústria da Extração de Sal do Rio Grande do Norte (Siesal), Airton Torres,  que também é superintendente da Salinor, uma das principais empresas do setor, lembrou que o Porto-Ilha - terminal que escoa cerca 50% da produção nacional de sal - foi interditado no início de dezembro de 2017, ficando paralisado ao longo de 13 dias, gerando prejuízos à toda cadeia de sal do Brasil, inclusive às indústrias no Sul e Sudeste, que utilizam o sal como insumo.    

"É sabido que o terminal é a única maneira de escoar o sal do Rio Grande do Norte, que é responsável por 95% da produção do Brasil", frisou, confirmando que a Codern, em conjunto com os produtores de sal e o Governo Federal, tem buscado solucionar todos os problemas do terminal, de modo a conferir maior produtividade e eficiência para os embarques.  

Informou, ainda, que nessa linha, é de conhecimento público que a Codern está desenvolvendo uma licitação para corrigir questões inerentes a ilha nova,  sendo certo que os problemas encontrados no final de 2016, não conferem qualquer risco aos trabalhadores e ao terminal, tendo sido interditada - por precaução diga-se - a área nova para estocagem de sal. 

O Terminal Salineiro de Areia Branca Luiz Fausto de Medeiros, mais conhecido como Porto-Ilha de Areia Branca, é um porto localizado no Oceano Atlântico, próximo ao litoral do Rio Grande do Norte. Fica localizado a 14 milhas náuticas (aproximadamente 26 km) da costa de Areia Branca, a 330 km da capital estadual, Natal. Inaugurado em 2 de setembro de 1974, é administrado pela Companhia Docas do Rio Grande do Norte (Codern). 

De acordo com dados da enciclopédia livre Wikipedia, a construção do porto resultou da necessidade de suprir a demanda de sal marinho no mercado interno brasileiro. Dentre as hipóteses analisadas prevaleceu a da execução do sistema ilha artificial. 

Foto: Reprodução/Coder
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