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Agricultores de Mossoró incrementam renda com agroindústria de polpa de frutas


A agricultora Cleonice Andrade, 43, não segura a emoção quando vê, praticamente pronta, a agroindústria de polpa de frutas que tanto sonhou. Ao lado de 31 sócios da Cooperativa de Agricultores e Agricultoras Familiares de Mossoró e Região (Cooafam) e de mais três associações comunitárias, foi selecionada para o projeto piloto de agricultura irrigada do Governo do RN, via projeto Governo Cidadão e Banco Mundial, e hoje vê seu sonho se tornar realidade. Muito em breve o grupo estará produzindo polpa de fruta em Mossoró e comercializando para toda a região.

“Esse é um sonho sonhado por muita gente. Queríamos uma simples casa de polpa padronizada de maneira artesanal, mas esse projeto veio e trouxe algo muito além dos nossos sonhos. Entramos aqui e não acreditamos que é nosso, porque é uma felicidade sem tamanho”, descreve emocionada. Mesma sensação experimentada por Edinor Targino, 55, o Galego, vice-presidente da Cooperativa.

“É a realização de um sonho que lutamos muito para conseguir. Mas agora é que a luta começa de verdade”, emenda. Os produtores aguardam agora a aprovação do Ministério da Agricultura para começar a operar a estrutura, que terá capacidade para processar 700 quilos de polpa de fruta por hora. Serão produzidas polpas de acerola, cajarana, graviola, caju, goiaba e outras mais, com foco no mercado governamental formado por programas como o Merenda Escolar.

“Mas também queremos chegar aos supermercados e restaurantes”, planeja Cleonice. O projeto piloto inclui ainda a instalação de 16 quintais produtivos irrigados, cuja energia está sendo fornecida por placas fotovoltaicas também financiadas pelo projeto. Desde dezembro agricultores da zona rural de Mossoró e municípios vizinhos produzem para fornecer à Cooafam.


É o caso de Fabiana Souza, 30, moradora do assentamento São Romão em Mossoró e uma das beneficiadas com sistema de irrigação mais eficiente e mais sustentável. A agricultora tem hoje oito hectares de goiaba, acerola, tomate, pimentão, manga, banana e maracujá e desde dezembro se beneficia da placa de energia solar, que capta energia para bombear a água da caixa para a plantação.

“O projeto está mudando toda nossa história. Aprendemos a produzir com baixo custo, água suficiente, em grande quantidade e mudamos as culturas. Antes só plantávamos melão e mamão e hoje temos uma diversidade bem maior”, detalha. O custo com a energia elétrica era alto: podia ir de R$ 1.200 até R$ 3.000 por mês; atualmente não se paga qualquer taxa de energia desde que a placa solar começou a funcionar.


Vanilson Paulo de Souza, 29, ajuda o pai nos 16 hectares irrigados que possuem no mesmo assentamento. Já estão colhendo maracujá e acerola e aguardam ainda o coco e o melão. Para o secretário e coordenador do projeto Vagner Araújo, os investimentos do Governo do RN em inclusão produtiva levam não só emprego e renda para o campo, mas também dignidade aos seus moradores.

Os investimentos do Governo do RN no piloto de agricultura irrigada alcançam R$ 2,9 milhões e abrangem as associações Terra Prometida (assentamento Oziel Alves), Agrovila Pomar (assentamento Maísa) e Montana do Eldorado dos Carajás II, também no assentamento Maísa, além da Cooafam. Incluem a construção da unidade de beneficiamento de polpa de fruta equipada com modernas máquinas de refrigeração (em fase final de obras) em Mossoró e aquisição de veículo com baú refrigerado, além de sistemas de irrigação mais sustentáveis e insumos para ampliação das áreas produtivas.








Icem Caraúbas
Fotos: João Vita / Reprodução
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